Cabe ao cavalo ser cavalo
E ao camelo ser camelo
E ao coelho, ser coelho e não leão.
Cabe ao bovino ser divino
E ao suíno o seu destino
Que é viver na densa lama da ilusão.
Deixa a salsicha pro cachorro
E o intestino para o porco,
Que berra por socorro e é seu irmão.
Só cabe ao homem, ser humano,
Ser humano e não mundano,
Que afinal de contas esse é um mundo cão!
terça-feira, 26 de janeiro de 2010
Bandeira de bateia
Poeta não é aquele
Que sepulta a linha reta,
Tampouco o que
A resume por completa;
Talvez seja o poeta
Aquele que entra pela porta
Mas que se há motivo
Sai pela janela.
É o tal que não suporta
Ser chamado de poeta,
E é grão que brota
Em qualquer chão de pedra!
E preza pela lei
Da palavra sempre aberta
Sem perder de vista
As letras do silêncio...
Que sepulta a linha reta,
Tampouco o que
A resume por completa;
Talvez seja o poeta
Aquele que entra pela porta
Mas que se há motivo
Sai pela janela.
É o tal que não suporta
Ser chamado de poeta,
E é grão que brota
Em qualquer chão de pedra!
E preza pela lei
Da palavra sempre aberta
Sem perder de vista
As letras do silêncio...
terça-feira, 18 de março de 2008
AH!
Ah!, se do eterno verbo
Eu pudesse amar... Ah!
Ah!, se da cor dormente
Eu pudesse acordar
Estrela-cadente
Na sombra sonora do Teu calcanhar... Ah!
Ah!, se do eterno berro
Eu pudesse gritar,
Feito ferro em brasa
O ouvido esquentar,
Dar asas aos tímpanos
Para nem precisar escutar... Ah!
Ah!, se do eterno ácido
Eu pudesse provar,
Doce de sal
Mais amargo que o fel,
Viajando para sempre
Para além do céu
Como numa eterna
Lua de mel... Ah!
Ah!, se do eterno eco
Eu pudesse me livrar,
Ficando quieto
Para apenas cantar
Aquelas palavras
Que vêm me salvar... Ah!
Ah!, se do eterno ego
Eu pudesse me olhar,
Não sendo tão cego
Me desapegar
Dessa melancolia
Que só me faz lamentar,
Acordar desse sono profundo
Espelhado às dores do mundo... Ah!
Ah!, se do eterno som
Eu pudesse entoar,
Como a sílaba Om
Atravessar esse mar
De mistérios e sombras
Em que vivo naufragado... Ah!
Eu pudesse amar... Ah!
Ah!, se da cor dormente
Eu pudesse acordar
Estrela-cadente
Na sombra sonora do Teu calcanhar... Ah!
Ah!, se do eterno berro
Eu pudesse gritar,
Feito ferro em brasa
O ouvido esquentar,
Dar asas aos tímpanos
Para nem precisar escutar... Ah!
Ah!, se do eterno ácido
Eu pudesse provar,
Doce de sal
Mais amargo que o fel,
Viajando para sempre
Para além do céu
Como numa eterna
Lua de mel... Ah!
Ah!, se do eterno eco
Eu pudesse me livrar,
Ficando quieto
Para apenas cantar
Aquelas palavras
Que vêm me salvar... Ah!
Ah!, se do eterno ego
Eu pudesse me olhar,
Não sendo tão cego
Me desapegar
Dessa melancolia
Que só me faz lamentar,
Acordar desse sono profundo
Espelhado às dores do mundo... Ah!
Ah!, se do eterno som
Eu pudesse entoar,
Como a sílaba Om
Atravessar esse mar
De mistérios e sombras
Em que vivo naufragado... Ah!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Bloco de Notas
Meu bloco de carnaval
Não cai no aval da avenida;
Que ninguém me leve a mal
- ele vai de bem com a vida.
Ó meu bloco de notas,
De notas tão musicais...
Anotas quase tudo o que notas:
Novas de outros carnavais!
Não cai no aval da avenida;
Que ninguém me leve a mal
- ele vai de bem com a vida.
Ó meu bloco de notas,
De notas tão musicais...
Anotas quase tudo o que notas:
Novas de outros carnavais!
Reticências
nas retinas
a essência
do que não se pode ver;
repentinas
reticências,
presas do prazer...
prazer desapontado,
amiúde no sofrer;
já desponta para
um novo alvorescer!
a essência
do que não se pode ver;
repentinas
reticências,
presas do prazer...
prazer desapontado,
amiúde no sofrer;
já desponta para
um novo alvorescer!
Pensatividade
pensativa
a pessoa
soa como
pensa que voa
voa como
pensa que soa
e a penas
na ativa
vai à tona
a pessoa
soa como
pensa que voa
voa como
pensa que soa
e a penas
na ativa
vai à tona
Simbionte
Nesse mundo de dualidades,
Duas são minhas vozes:
Uma só a verdade,
Inúmeras vezes
Alterada
Por inúmeras viroses
Alternadas...
Uma só é a vontade:
Duas vezes
Enterrada
Por um muro
De atividades
Inatas,
Impregnadas
Pela idéia
Do nada;
Duas são minhas vozes:
Uma só a verdade,
Inúmeras vezes
Alterada
Por inúmeras viroses
Alternadas...
Uma só é a vontade:
Duas vezes
Enterrada
Por um muro
De atividades
Inatas,
Impregnadas
Pela idéia
Do nada;
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